A cena que deixou Angra dos Reis consternada neste fim de semana vai ganhar outro desfecho. Na premiação de uma corrida de rua em Angra dos Reis, no último domingo (18), o paratleta Welington Santos, corredor com deficiência visual, recebeu a premiação para tirar a foto no pódio e, logo depois, teve a premiação recolhida. Ele correu a prova ao lado do seu atleta-guia, Junior Ramos, corredor autista que esteve no Endorfina na semana passada.
O episódio circulou nas redes e mobilizou a cidade. A pergunta que ficou foi simples: como uma corrida que nasceu para promover saúde e aproximar pessoas deixa um atleta com deficiência sem o reconhecimento que conquistou?
Falha na premiação
A empresa que dá nome à corrida confirmou, em nota, que a organização técnica foi feita por uma empresa especializada, e anunciou que a categoria PCD só passará a fazer parte do regulamento na próxima edição. Na premiação, os atletas com deficiência foram chamados para a foto e a premiação acabou recolhida. Para quem organiza corrida, é um erro básico: atleta com deficiência que completa a prova merece reconhecimento, e o atleta-guia que corre ao lado dele também.
A empresa que dá nome à corrida pediu desculpas publicamente aos atletas com deficiência, disse que conversou diretamente com eles e assumiu o compromisso de fazer melhor.
Outros atletas PCD também ficaram de fora
Welington não foi o único. Ilza, que também tem deficiência visual, e William, que é cadeirante, também correram como atletas PCD e ficaram revoltados com o tratamento na premiação.
APADEV publica nota de repúdio
A APADEV, Associação de Pais e Amigos dos Deficientes Visuais de Angra dos Reis, também se manifestou. Em nota de repúdio, a entidade relata que os atletas com deficiência fizeram o mesmo trajeto que os demais, mas, na premiação, “foram chamados apenas para tirar fotografias, sendo informados de que os troféus não eram destinados a eles”.
A pessoa com deficiência não precisa de piedade, de privilégios ou de inclusão apenas nas fotografias. Precisa de respeito, reconhecimento e condições justas de participação.
Nota de repúdio da APADEV
Segundo a APADEV, esta não seria a primeira vez que a mesma empresa organizadora trata atletas com deficiência dessa maneira. A associação pediu que a organizadora se pronuncie e adote medidas para que o caso não se repita.
Categoria PCD a partir da próxima edição
A principal mudança anunciada pela empresa que dá nome à prova: a partir da próxima edição, a categoria PCD fará parte do regulamento, com premiação própria.
Uma história que vai terminar bem
Welington e os responsáveis pela corrida vão se encontrar nesta terça-feira, 20 de outubro, e o Endorfina vai acompanhar esse reencontro. A história, que começou com constrangimento, tem tudo para terminar com o reconhecimento que o atleta merece. Assim que o encontro acontecer, contamos aqui e no programa.
Inclusão que já passou pelo Endorfina
O esporte da Costa Verde tem muita história de atleta com deficiência que vai longe. No Endorfina, já contamos algumas:
- Welington Santos e Ilza, atletas com deficiência visual, já foram entrevistados no Endorfina, em junho.
- Fabiano Affonso, canoísta cego de alto rendimento, campeão da categoria PCD no Aloha Spirit Festival, na Praia do Anil.
- Fabiano e seu guia, Viny Martins, conquistaram o bronze no Mundial de Canoagem, na Ilha da Madeira, em Portugal.
- Junior Ramos, corredor autista e atleta-guia do Welington, falou no programa sobre os desafios e as possibilidades de inclusão na corrida.
Em comum, uma lição que vale para todo organizador de prova: categoria PCD no regulamento, premiação garantida e respeito ao atleta-guia, que corre junto e divide cada quilômetro.
Acompanhe o Welington no Instagram: @welington_santos_paratleta.
Correção (19/10/2026): uma versão anterior desta matéria atribuiu a organização técnica da prova à Cronos VR. A empresa informou ao Endorfina que foi contratada apenas para a cronometragem e que não organiza eventos nem a premiação. O Endorfina pede desculpas à Cronos VR e aos leitores.





